Estabilidade de Produtos Magistrais

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Estabilidade de Produtos Magistrais

Os estudos de estabilidade têm por objetivo gerar evidências sobre a variação da qualidade de um produto farmacêutico em função do tempo, diante de uma série de fatores ambientais, como temperatura, umidade e luz. As informações obtidas indicam o prazo de validade do medicamento e as condições de armazenamento. Tais estudos se iniciam no desenvolvimento da formulação, quando são avaliados todos os fatores intrínsecos, como a fórmula, a compatibilidade entre os seus componentes, o pH e adequação da embalagem primária, entre outros. Uma vez definido e obtido o produto farmacêutico, começa o período de armazenamento das amostras, já em sua embalagem final ou não, sob condições controladas de temperatura e umidade, que simulem aquelas em que o produto estará exposto na cadeia de distribuição e de comercialização.

O Brasil é definido como Zona Climática IV, essas condições são temperatura de (30 ± 2) °C e umidade relativa de (70 ± 5)%.

Após aberto o produto adquire características de um produto extemporâneo

Para as indústrias, atualmente são definidos três tipos de estudos de estabilidade: acelerado, de longa duração e de acompanhamento. O prazo de validade é atribuído considerando o produto em sua embalagem primária lacrada caso o estudo queira informações sobre as interações com a embalagem. Ao abrir a embalagem do medicamento para o uso, por exemplo, medicamento multidose, na forma de solução ou uma suspensão, este adquire a característica de um medicamento extemporâneo, pelas condições de manipulação não serem avaliadas nos estudos de estabilidade.

O manipulado e a data limite de uso

O medicamento manipulado é produzido de forma personalizada, ou seja, para atender a uma necessidade particular de um paciente e para uso imediato. Por isso, não se atribui a ele um prazo de validade e sim uma data limite para o uso (prazo de uso), que pode variar de alguns dias até poucos meses. Os critérios para definição do prazo de uso são, portanto, diferentes daqueles aplicados nos estudos de prazo de validade dos produtos industrializados. A definição dessa data limite tem sido um grande desafio, pois a estabilidade de produtos extemporâneos varia de uma formulação para outra.

A data limite do uso não deve ser generalizada para todos os produtos

Essa variação depende do fármaco, dos componentes da formulação, do tipo de forma farmacêutica (se sólida, líquida ou semissólida), do processo de manipulação, da embalagem e condições ambientais, entre outros. Por essas razões não é possível generalizar uma data limite de uso para todos os produtos. Por outro lado, o conhecimento das reações químicas pelas quais os fármacos se degradam fornece ao manipulador um meio para estabelecer condições tais que a taxa de degradação possa ser minimizada ou evitada. Portanto, para atribuir o prazo de uso de um produto manipulado, deve-se considerar a natureza química do fármaco, seu mecanismo degradação, a embalagem primária, condições de armazenamento esperadas e a duração prevista da terapia.

O desenvolvimento deve ser feito com base em princípios científicos

Para garantir segurança, eficácia e qualidade do produto manipulado são necessários cálculos corretos, medidas exatas, condições e procedimentos apropriados para o desenvolvimento da formulação, insumos de qualidade e do prudente julgamento do farmacêutico, que deve ser um profissional qualificado para este fim. Além disso, uma fórmula adequada com um perfil de estabilidade comprovado deve ser procurada na literatura específica. Nos casos em que nenhuma fórmula seja encontrada na literatura, o farmacêutico deverá desenvolvê-la com base em princípios científicos. Esse é um processo moroso e que pode exigir uma análise muito cuidadosa:

 a) do potencial de degradação do ingrediente ativo por oxidação, hidrólise, fotólise ou termólise;

b) das interações entre os excipientes e o princípio ativo, especialmente se comprimidos ou cápsulas são utilizados como fonte do fármaco, quando este não está disponível no mercado;

c) do tipo de embalagem mais adequada para proteger o produto de fatores ambientais que possam influir na estabilidade;

d) da formulação mais adequada, compatibilizando a estabilidade e a adequação da forma farmacêutica para facilitar a administração;

e) das condições de armazenamento, conservação e considerações atribuindo um prazo de uso para a formulação.

Fórmulas líquidas são as mais críticas

Fórmulas líquidas de uso oral podem ser mais complexas que as sólidas. A principal razão é a adição de componentes que serão agregados para a adequação da forma farmacêutica (veículo, conservante, agente tamponante, agente aromatizante, corretivo de viscosidade e agente de suspensão, entre outros). Todos esses aspectos devem ser avaliados no desenvolvimento da formulação. Além disso, deve-se ter cuidado quando se toma por base a estabilidade do fármaco no estado sólido, pois ele pode ser menos estável em solução ou em suspensão.

BRASIL. Formulário Nacional da Farmacopeia Brasileira, 2. Ed. Brasília, ANVISA, 2012.

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